BANCO BELMONTE - ZANINE CALDAS
O banco Belmonte não pertence à mesma fase que as outras peças da coleção. Enquanto a Móveis Artísticos Z foi a expressão de Zanine Caldas no modernismo industrial dos anos 1950 — a madeira compensada, o móvel acessível, a série —, o Belmonte vem de um momento de virada em seu retorno à Bahia.
Em 1968, Zanine se estabeleceu em Nova Viçosa, no extremo sul do estado, e encontrou um cenário que o perturbou; toras centenárias derrubadas, queimadas, desperdiçadas pelo avanço do desmatamento sobre a Mata Atlântica. Daquelas sobras, fez móveis e chamou-os de Móveis Denúncia. Peças esculpidas em madeira maciça bruta, com mínima interferência nas texturas e colorações originais do material, que questionavam com a forma o que as palavras não bastavam para dizer.
O banco Belmonte é reedição de uma dessas peças, produzida nos anos 1970. O nome vem de Belmonte, no sul da Bahia, cidade onde Zanine nasceu, e carrega em si tudo o que esse retorno significou: a memória da floresta, o gesto de resistência, a madeira como matéria viva e como argumento.


