Zanine Caldas
José Zanine Caldas nasceu em Belmonte, Bahia, em 1919, e faleceu em Vitória, Espírito Santo, em 2001. Arquiteto, designer e maquetista, destacou-se por explorar as potencialidades construtivas e as qualidades plásticas das madeiras brasileiras. Aos 22 anos, abriu no Rio de Janeiro o "Maquete Studio", ateliê de modelos reduzidos onde teve contato com projetos de alguns dos maiores nomes da arquitetura moderna brasileira, como Oswaldo Arthur Bratke, Alcides da Rocha Miranda, Oscar Niemeyer e Lucio Costa. Autodidata, tornou-se designer e arquiteto por meio desse ateliê de maquetes, ganhando reconhecimento não apenas pela qualidade técnica, mas também por sua capacidade de propor soluções projetuais durante a própria execução dos modelos.
Em 1949, fundou a Móveis Artísticos Z, fábrica voltada à produção industrializada em larga escala de móveis de bom desenho e preço acessível, baseada no uso racional de chapas de compensado. Localizada em São José dos Campos, a fábrica chegou a empregar mais de trezentos funcionários e, com cores vivas e dimensões reduzidas, teve seus móveis rapidamente absorvidos pelos ambientes populares da época sob um conceito modernista.
Nos anos 1960, a convite do antropólogo Darcy Ribeiro, integrou o corpo docente da Universidade de Brasília como professor de maquete, mesmo sem diploma — e, como criador empenhado em integrar seus projetos à topografia natural dos terrenos, nunca aterrou ou alterou solos para receber suas construções. Na década de 1970, já trabalhando com toras brutas de madeira cujas linhas retorcidas inspiravam seus desenhos, construiu obras como a Casa dos Triângulos e a Casa da Beira do Rio, adotando um sistema construtivo artesanal com madeiras típicas da região. Foi nesse período que, junto a construtores de canoas, criou os chamados "móveis-denúncia" — peças que preservavam o formato original das árvores como forma de denunciar o desmatamento das florestas brasileiras.
Em 1980, fundou o Centro de Desenvolvimento das Aplicações da Madeira (DAM), núcleo dedicado à pesquisa sobre o uso de madeiras brasileiras na construção civil, com o objetivo de conter a destruição das florestas no país. Reconhecido internacionalmente, teve peças expostas no Museu de Artes Decorativas de Paris e recebeu a medalha de prata do Colégio de Arquitetos da França. Em 1991, já consolidado como uma das figuras centrais do design brasileiro, recebeu do Instituto de Arquitetos do Brasil o título de arquiteto honorário, reconhecimento formal de uma trajetória construída inteiramente fora da academia.
Zanine Caldas deixou um legado que atravessa o mobiliário seriado e a arquitetura artesanal, unindo rigor construtivo, domínio sensível da madeira e uma das primeiras consciências ambientais do design brasileiro.

